10.10.11

"A morte é muito provavelmente a melhor invenção da vida." Steve Jobs (1955 - 2011)



Eu comecei usando Macintosh em um modelo SE, monobloco, tela em preto e branco, onde inacreditavelmente rodava o Photoshop e Quark XPress, o dono da empresa era americano e conseguia trazer os equipamentos que tinham importação proibida pela Lei de Reserva da Informática. Depois, na DPZ continuei a usar Macs, que a Gráficos Burti importava através de uma brecha na legislação e deixava em comodato com algumas agências de publicidade. Em casa tive um Macintosh LC III, um PowerMac G3 - cujo monitor foi reciclado e virou a cama para gato e cachorro do video acima - e mais recentemente um Powerbook, que tb já mostrei aqui em cima do suporte feito com caixa de papelão no post sobre meu home office.

Reciclar talvez não combine com a filosofia que Steve Jobs, morto na quarta-feira passada, defendeu em seu famoso discurso na cerimônia de formatura da Universidade Stanford de 2005, legendado no YouTube, transcrito e publicado na íntegra em inglês.

A morte é o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo.

De qualquer forma, mesmo contrariando o desapego, prazo de validade e a finitude das coisas, a caminha até que ficou bacana e está sendo muito utilizada pelos bichos lá de casa.

Design e budismo

A frase de Steve Jobs, que segundo consta na juventude viajou para a India e virou budista, parece com um ditado zen que diz: só conhece a vida aquele que já morreu. A obsessão pelo design perfeito do co-fundador da Apple também remete ao conceito budista do iki, ideal estético que um objeto pode alcançar e meta de todo mestre artesão quando começa a criar sua obra. No Iki o objeto atinge uma mistura perfeita de simplicidade, beleza, elegância, ousadia, sofisticação, etc. Ela pode ser materializada em um pratinho de porcelana, uma espada, uma tijela de laca ou em um smartphone.

Em contraponto a essa busca personalista, meritocrática e virtuosística do artesão, a cultura wiki e do código aberto também nasceu fazendo referência a outro conceito estético budista: o wabi-sabi, a beleza das coisas fugazes, impermanentes e imperfeitas. Desta vez, abrindo espaço para o coletivo, colaborativo, espontâneo, anônimo, tosco e remixado.

Update em 18/10/2011:
A morte de Steve Jobs foi anunciada pela Apple no dia seguinte ao keynote de lançamento do iPhone 4GS, o primeiro evento deste tipo sem seu famoso CEO. Na cultura japonesa existem várias histórias onde a morte do guerreiro só é descoberta depois que ele cumpre a missão.


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